Mastite subclínica em vacas leiteiras da raça Jersey e seus efeitos sobre os marcadores produtivos e inflamatórios
Reitz, Greyce Kelly SchmittPelegrini, Mariana Monteiro BoengMolinari, Pietra ViertelLondero, Uriel SeccoFeijó, Josiane de OliveiraCorrêa, Marcio NunesAlvarado-Rincón, Joao AlveiroGueretz, Juliano SantosPeripolli, VanessaSchwegler, Elizabeth
O objetivo deste estudo foi verificar a influência da mastite subclínica sobre os marcadores produtivos e inflamatórios em vacas leiteiras da raça Jersey. Foram coletadas amostras de sangue, leite e dados produtivos de 59 vacas Jersey mantidas em sistema semi-extensivo. As amostras de leite foram coletadas a partir do uso do copo coletor individual e avaliadas quanto a contagem de células somáticas (CCS), lactose (Lact), proteína, gordura, extrato seco total e desengordurado (ESD), caseína, ponto de congelamento e nitrogênio ureico (Nul). A colheita de sangue foi realizada após a ordenha, por punção do complexo arteriovenoso coccígeo. Nas amostras de soro foram analisados os biomarcadores inflamatórios Paraoxonase-1, albumina e proteínas plasmáticas totais, por métodos colorimétricos. Amostras da dieta total fornecida e das pastagens foram submetidas as análises bromatológicas. Além disso, foram analisados o escore de condição corporal, número de lactações, produção, dias em lactação, intervalo entre partos, número de inseminações até concepção, intervalo parto concepção e dias de gestação. As vacas foram categorizadas pela contagem de células somáticas (CCS) em grupo com mastite subclínica (Gsub) com resultados de CCS maiores ou iguais a 200.000 céls/ml e grupo controle (GC) com níveis de CCS abaixo de 200.000 céls/mL. Os dados das variáveis metabólicas sanguíneas, qualidade do leite e dados produtivos foram submetidos a regressão multivariada, análise de variância e regressão logística utilizando o programa SAS®. A análise de regressão multivariada demonstrou que vários marcadores influenciam na composição do leite, predizendo mais que 97% dos dados, como para os parâmetros lactose, proteína total e caseína. O GSub apresentou menores concentrações de Lact (4,37 vs 4,47%; P = 0,0002), Nul (20,55 vs 23,85 mg/dL; P = 0,02) e de ESD (9,24% vs 9,50%; P = 0,02) em comparação ao GC. Foi observado que os animais do Gsub possuíam maior número de lactações em relação ao GC (4,30 vs 2,69; P =0,0039). As vacas que apresentaram teores de lactose menores que 4,265% (Quartil 25) em comparação com as de percentuais maiores que 4,565% (Quartil 100) apresentaram 52 vezes mais chances de ter mastite subclínica. Vacas Jersey com mastite subclínica possuem menor teor de lactose, ureia e extrato seco desengordurado no leite, apresentando também maior número de lactações. A lactose se mostrou um bom marcador no leite para diagnóstico de mastite subclínica em vacas Jersey. A mastite subclínica em vacas leiteiras da raça Jersey não diminuiu a produção de leite e não afetou o desempenho reprodutivo.(AU)
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