VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 2579-2594

Indigestão vagal em bovinos: estudo retrospectivo

Soares, Gliére Silmara LeiteAfonso, José Augusto BastosSouto, Rodolfo José CavalcantiCajueiro, Jobson Filipe de PaulaConceição, Ângela Imperiano daRibeiro, Ana Clara SarzedasSilva, Tatiane Vitor daMendonça, Carla Lopes de

Objetivou-se realizar um estudo retrospectivo dos casos de indigestão vagal diagnosticados em bovinos atendidos na Clínica de Bovinos de Garanhuns, campus da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Essa síndrome, causada por disfunções do nervo vago e caracterizada por transtornos de motilidade dos pré-estômagos e abomaso, representou 5,5% (70/1279) dos casos digestivos diagnosticados num período de 10 anos e apresentou prognóstico desfavorável em 78,3% dos casos. A indigestão vagal tipo II foi a mais prevalente, representando 40% dos casos, seguida do tipo I (24,3%) e dos tipos III e IV, que corresponderam a 18,6% e 10,0%, respectivamente. Em 67,1% (47/70) dos casos, a indigestão vagal ocorreu em consequência de outras enfermidades, tais como reticuloperitonite traumática (27,7%), doenças pulmonares (12,8%), compactação gástrica (10,6%), úlcera de abomaso (10,6%), linfossarcoma (6,4%) e abscessos hepáticos (6,4%). As alterações motoras do trato gastrointestinal, tais como hipomotilidade, distensão abdominal e timpania, assim como suas consequências foram os sinais clínicos mais frequentes. As alterações laboratoriais, de imagem e anatomopatológicas são oriundas principalmente das enfermidades primárias presentes em cada caso. Devido sua importância clínica e econômica para a bovinocultura, é primordial a abordagem dessa enfermidade, visando ampliar o conhecimento da sua etiopatogenia contribuindo dessa forma para um diagnóstico mais preciso pelos médicos veterinários atuantes na área de medicina interna de bovinos.

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