Efeito de boas práticas de manejo sobre indicadores de estresse e comportamento em bovinos de corte
Jardim, Carla ComerlatoSilveira, Isabella Dias BarbosaRestle, JoãoMendonça, Fábio SouzaBethancourt-Garcia, Javier AlexanderOliveira, Roberson Macedo deMoares, Renata Espindola deReis, Nathália PasiVaz, Ricardo Zambarda
Aspectos relacionados às boas práticas de manejo têm impactos significativos no comportamento animal com efeitos positivos na produtividade e lucratividade dos sistemas de produção. Este estudo investigou o impacto das boas práticas de manejo na modificação de indicadores de estresse e no comportamento de bovinos de corte. Trinta e seis bovinos, em fase de crescimento, foram avaliados por 490 dias e submetidos a dois diferentes sistemas de produção no sul do Brasil: boas práticas de manejo (BPM) e sistema de manejo tradicional da pecuária de corte (SMT). Foram avaliados o peso corporal, indicadores de reatividade (distância de fuga e escore composto de comportamento) e indicadores fisiológicos de estresse (glicose e cortisol no sangue). Foi realizada análise de variância com medidas repetidas ao longo do tempo e aplicada a correlação de Pearson entre as variáveis citadas anteriormente. Não foram encontradas diferenças para peso corporal em nenhuma das avaliações (P>0,05), com pesos iniciais de 196,2 e 196,3 kg e pesos finais de 431.0 e 413.8 kg para os novilhos BPM e SMT, respectivamente. O BPM determinou melhores valores para os indicadores fisiológicos de estresse e indicadores comportamentais em relação ao SMT (P<0,05). A distância de fuga dos animais BPM diminuiu de 11,33 para 5,22 metros da primeira avaliação para última avaliação, enquanto nos animais SMT os valores foram de 10,17 e 11,89 metros, respectivamente. O escore composto de comportamento diferiu nas avaliações aos 372 e 490 dias, com valores de 1,77 e 1,47 para animais BPM e valores de 2,92 e 2,83 pontos para animais SMT, respectivamente. Os níveis de glicose e cortisol diminuíram com o avanço das avaliações nos animais BPM com valores de 94,80 para 74,22 mg/dL e de 6,08 para 3,68 µg/dL, respectivamente. Nos animais SMT os níveis de glicose e cortisol foram semelhantes nas avaliações inicial e final com valores de 89,30 e 91,28 mg/dL e de 5,34 e 5,80 µg/dL, respectivamente. Independentemente do manejo ao qual os animais foram submetidos, o peso corporal final se correlacionou negativamente com os indicadores de reatividade e indicadores fisiológicos de estresse. A reatividade dos bovinos é influenciada pela qualidade da interação homem-animal, mas não tem efeito sobre o desempenho dos animais criados a pasto. Boas práticas de manejo reduzem a reatividade e os indicadores fisiológicos de estresse dos bovinos.
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