VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 2093-2108

Perfil de resistência em Escherichia coli isoladas de carcaças de frango provenientes de sistemas de produção convencional, livre de antibióticos e orgânico

Vieira, Tatiana ReginaOliveira, Esther Cavinatto deCibulski, Samuel PauloBorba, Mauro RiegertCardoso, Marisa

A resistência antimicrobiana (AMR) é uma preocupação crescente para a saúde humana e animal. A discussão pública dessas questões tem contribuído para o aumento da demanda por alimentos produzidos sem o uso de antibióticos. No entanto, estudos que comparem os perfis de resistência antimicrobiana de bactérias em alimentos oriundos de sistemas agrícolas com restrição ao uso de antimicrobianos ainda são escassos. O objetivo deste estudo foi avaliar o perfil de resistência antimicrobiana em Escherichia coli genérica isolada de carcaças de frangos inteiros oriundos de sistemas de criação com e sem restrições ao uso de antimicrobianos. Para tanto, três grupos de cepas de E. coli foram formados: (GC) isolados de carcaças de frangos criados no sistema convencional - sem restrição de uso de antimicrobianos (n=72); (GL) isolados de frangos de sistemas certificados sem uso de antimicrobianos (n=72); (GO) de frangos originados de produção orgânica (n=72). As unidades de frango inteiro foram submetidas à lavagem conforme recomendado pela ISO 17604: 2015 e E. coli foi isolada da suspensão de enxágue. Para avaliar o perfil de resistência, as cepas de E. coli foram testadas frente à 12 antimicrobianos pelos testes de microdiluição em caldo ou difusão em disco. Oitenta cepas (40,7%) foram totalmente suscetíveis aos antimicrobianos testados e 23,6% multirresistentes. As maiores frequências de resistência foram observadas frente a tetraciclina (GC=37,5%; GL=34,7%; GO=25%) e trimetoprima (GC=27,8%; GL=34,7%; GO=22,2%). No caso de cepas multirresistentes, GC apresentou 32% (n=23) das cepas com características de multirresistência enquanto os grupos GL e GO apresentaram 22% (n=16) e 17% (n=12), respectivamente. Quanto às cepas totalmente suscetíveis, foi observada uma frequência de 56% de cepas Tsus no grupo orgânico enquanto tal frequência foi de 33% nos grupos GC e GL. Utilizando GC como referência, o modelo de regressão de Poisson demonstrou maior ocorrência de cepas de E. coli totalmente suscetíveis, bem como menores frequências de multirresistência e resistência à ampicilina e ácido nalidíxico no GO. Em GL, apenas a frequência mais baixa de resistência à ampicilina pôde ser demonstrada. Essas observações sugerem que a menor pressão de seleção do uso de antimicrobianos no sistema de cultivo pode se refletir no perfil de resistência das bactérias presentes nos alimentos adquiridos pelo consumidor.(AU)

Texto completo