VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 3399-3414

Cinética de fermentação ruminal in vitro de dietas com proteína de torta de crambe em substituição à proteína do farelo de soja pela técnica de produção de gás

Poveda-Parra, Angela RocioPrado-Calixto, Odimári PricilaPereira, Elzânia SalesMassaro Junior, Fernando LuizCarvalho, Larissa Nóbrega deGuerra, Geisi LouresSerafim, Camila CanoCavalheiro Junior, Elias RodriguesSilva, Leandro das Dores Ferreira daMizubuti, Ivone Yurika

O objetivo deste estudo foi avaliar ingredientes e dietas contendo diferentes níveis de proteína da torta de crambe como substituto da proteína do farelo de soja utilizando parâmetros de fermentação ruminal in vitro pela técnica de produção de gás. Foram formuladas dietas para cordeiros em confinamento e continham níveis crescentes de proteína da torta de crambe (0, 250, 500, 750, e 1000 g kg-1) em substituição à proteína do farelo de soja. A silagem de milho foi utilizada como volumoso. As taxas de digestão de carboidratos foram estimadas usando a técnica in vitro de produção de gás, e a cinética cumulativa de produção de gás foi analisada usando o modelo logístico bicompartimental. Os valores dos parâmetros da cinética de degradação ruminal foram gerados usando o programa estatístico R com o algoritmo de Gauss-Newton e posteriormente submetidos à análise de variância e regressão (quando necessário) em delineamento experimental inteiramente casualizado com cinco tratamentos e cinco repetições. Sobre o fracionamento dos carboidratos dos ingredientes e das dietas experimentais observou-se que o milho e a silagem de milho apresentaram maiores teores de carboidratos totais (CT), com valores de 128,3 e 464,8 g kg-1 matéria seca (MS) na fração B2, respectivamente. O menor teor de CT encontrado foi para o farelo de soja e a torta de crambe (TCr). Houve predomínio das frações A+B1 nos ingredientes e nas dietas experimentais. A fração B2 diminuiu nas dietas com a inclusão da proteína da TCr, e a TCr apresentou a maior fração C. No fracionamento de proteínas (g kg-1 MS e g kg-1 proteína bruta - PB), os ingredientes e as dietas apresentaram maior proporção das frações A e B1+B2. Na degradação in vitro, a dieta sem TCr (0 g kg-1 MS) apresentou a maior produção final cumulativa de gases (365,04 mL g-1 de MS incubada), enquanto que a TCr apresentou o menor volume (168,68 mL g-1 de MS incubada). O volume de gás da fermentação de carboidratos não fibrosos e taxa de degradação de carboidratos fibrosos exibiram um efeito quadrático de acordo com os níveis crescentes de TCr (Pmáx= 265.8 g kg-1 DM e Pmin= 376.3 g kg-1 DM, respectivamente). O tempo de latência e o volume final do gás apresentaram efeito linear decrescente com o aumento dos níveis de proteína da TCr. A taxa de degradação dos carboidratos não fibrosos e volume final de carboidratos não diferiram. A substituição da proteína do farelo de soja pela proteína da torta de crambe no nível de 250 g kg-1 MS em dietas formuladas para cordeiros em confinamento leva a um bom perfil cinético de fermentação ruminal em relação à degradação de carboidratos fibrosos e não fibrosos.(AU)

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