VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 1567-1580

Alcaloides isoquinolínicos atenuam lesões microscópicas digestivas induzidas por acidose ruminal subaguda em bovinos confinados

Sanches, Adrien Wilhelm DilgerMontiani-Ferreira, FabianoSantin, ElizabethNeumann, MikaelReck, Angela MariaBertagnon, Heloisa GodoiPachaly, José Ricardo

As dietas para bovinos confinados possuem alta quantidade de alimentos energéticos com menor quantidade de alimentos volumosos (fibras), favorecendo a indução de acidose ruminal subaguda com formação de lesões gastrointestinais e sintomas clínicos deletérios. Recentes trabalhos têm demonstrado alguma amenização desta condição pelo uso de alcaloides isoquinolínicos encontrados na Macleaya cordata (Papaveraceae) tais como a sanguinarina e a cheleretrina, os quais tem demonstrado efeitos anti-inflamatórios, antimicrobianos e imuno modulatórios em humanos e animais. O objetivo deste estudo foi, através da histopatologia e de um sistema de escores, avaliar as diferenças entre um grupo não tratado e um grupo tratado com alcaloides isoquinolínicos, presentes na formulação Sangrovit RS® como fonte de sanguinarina (SG), chelerethrina (CH) and protropina (PA) padronizadas em 0,15 % w/w SG, usando bovinos em confinamento recebendo uma dieta rica em grãos como modelo inflamatório para o sistema gastrointestinal. Amostras dos pré-estômagos foram avaliadas por escores variando de zero a três, obtidos por microscopia de luz em diferentes campos em aumentos de 400X. Inflamação, degeneração hidrópica, hiperqueratose e formação de vesículas foram avaliadas nas diferentes camadas dos pré-estômagos tendo em vista a intensidade e a extensão das lesões. Tecidos não queratinizados como abomaso e intestino delgado, ceco e cólon tiveram seu total de células inflamatórias contadas por microscopia de luz em diferentes campos com aumentos de 200X. No rumem do grupo tratado houve uma redução significante no número de campos contendo degeneração hidrópica epitelial (p ≤ 0,001) e inflamação de lâmina própria (p ≤ 0,001). O retículo teve uma redução similar nos escores scores de degeneração hidrópica epitelial (p ≤ 0.002), degeneração hidrópica no estrato córneo (p ≤ 0.001), hiperqueratose (p ≤ 0.002) e inflamação na lamina própria (p ≤ 0.001) e inflamação epitelial (p ≤ 0.002). Não foram encontradas diferenças significantes no omaso. Todos os tecidos não queratinizados, exceto pelo íleo, tiveram uma redução significativa (p ≤ 0.001) no total de células inflamatórias. Neste experimento, bovinos em confinamento recebendo dieta rica em grãos e tratados com alcaloides isoquinolínicos tiveram lesões que tiveram melhoras e pioras. Os efeitos de melhora foram melhor demonstrados em tecidos sem camada córnea e na ausência de um meio ácido rico em lipopolisacarídeos, reforçando a noção da ação tópica, da dependência do pH do meio e do tempo de exposição modulando os mecanismos farmacológicos destes alcalóides. O efeito citolítico (oncólise) sobre células epiteliais de pré-estômagos em baixos valores de pH, piorando o estado osmótico das células, deveria ser considerado antes das aplicações clínicas.(AU)

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