VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 1213-1226

Utilização da radiologia computadorizada como exame de triagem na identificação de cardiopatias congênitas em cães

Lucina, Stephany BubaSilva, Marco Antonio Ferreira daGiannico, Amália TurnerSousa, Marlos GonçalvesFroes, Tilde Rodrigues

Os objetivos do estudo foram avaliar a acurácia da técnica radiográfica de tórax como exame de triagem nas cardiopatias congênitas em cães, identificar as principais contribuições e limitações dessa modalidade, e verificar a reprodutibilidade das avaliações realizadas por três observadores com diferentes graus de treinamento. Realizou-se um estudo interobservador, observacional, retrospectivo e prospectivo, o qual foram selecionados 90 cães, sendo 30 saudáveis, 30 com cardiopatias adquiridas e 30 com cardiopatias congênitas, que possuíam radiografia de tórax e diagnóstico ecocardiográfico confirmado. Os casos foram separados e randomizados por um mediador que não participou da leitura dos exames radiográficos, sendo que nenhum avaliador obteve acesso aos dados dos pacientes. Calculou-se os índices de sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP), valor preditivo negativo (VPN) e acurácia de cada observador em relação a identificação dos pacientes saudáveis, com cardiopatias adquiridas e congênitas, bem como para identificação de aumento da silhueta cardíaca e região de grandes vasos dos cães com cardiopatias congênitas. Por fim, foi obtido o coeficiente de Kappa entre os observadores a fim de verificar a reprodutibilidade das avaliações radiográficas realizadas. De modo geral, a sensibilidade, VPP e acurácia foram insatisfatórios (< 70%), enquanto a especificidade e VPN foram satisfatórios (> 70%), sendo que a concordância variou de ruim a razoável (entre 0 e 0,39). Apesar de ter sido alcançado acurácia maior na identificação de cães saudáveis, com cardiopatias adquiridas e congênitas pela radiografia de tórax quando comparado aos demais estudos, confirma-se que essa modalidade se mostrou capaz apenas de identificar o paciente saudável, não de diferenciar os indivíduos cardiopatas entre si ou de definir com maior detalhe as malformações cardíacas especificamente. Além disso, o exame radiográfico de tórax apresentou baixa reprodutibilidade entre os observadores, portanto, essa técnica não deve ser considerada como método único de triagem na suspeita de cães com cardiopatias congênitas.(AU)

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