VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 1355-1372

Estudo retrospectivo longitudinal sobre o efeito da estação na produção e composição do leite no Rio Grande do Sul, Brasil

Sicheski, Sirineu JoséHaygert-Velho, Ione Maria PereiraPiuco, Marcos AndréBusanello, MarcosCalgaro, Júlia Laize BandeiraAlmeida, Paulo Sérgio GoisConceição, Jardel Menegazzi daPedro Velho, João

Este estudo retrospectivo longitudinal avaliou a produção e a composição do leite de vacas leiteiras de acordo com a estação em uma propriedade rural em Palmeira das Missões, Rio Grande do Sul, Brasil, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2016. A produção de leite por hectare por mês foi a principal variável mensurada, juntamente com a composição química (extrato seco total, extrato seco desengordurado, gordura, proteína e lactose), contagem de células somáticas e contagem bacteriana total de leite. A produção no verão (513,53 kg/ha/mês) não diferiu (p > 0,05) daquela no outono (504,69 kg/ha/mês) ou primavera (564,63 kg/ha/mês), mas a produção no inverno (639,20 kg/ha/mês) foi significativamente maior que no verão (p < 0,0057). O preço real do leite não diferiu (p > 0,05) entre as estações. O teor total de extrato seco diferiu (p < 0,0059) entre as estações. No entanto, as estações mais frias do outono e inverno favoreceram a produção de sólidos totais. O teor de extrato seco desengordurado foi maior (p < 0,0001) no inverno (8,65%), em relação as demais estações do ano. O conteúdo de gordura não diferiu (p > 0,05) entre as estações. O conteúdo de proteína diferiu (p < 0,0200) entre o verão (3,01%) e o inverno (3,16%), mas as duas estações não diferiram (p > 0,05) do outono (3,13%) ou da primavera (3,05%). Os níveis de lactose no inverno (4,52%) foram maiores (p < 0,0011) do que nas demais estações do ano. A contagem de células somáticas não diferiu (p > 0,05) entre as estações, demonstrando que o rebanho avaliado possui saúde padrão das glândulas mamárias. A contagem bacteriana total não diferiu (p > 0,05) entre as estações, demonstrando que a higiene das instalações permanece constante. Como esperado, o índice de temperatura e umidade variou (p < 0,0001) com as estações do ano e os efeitos deletérios foram mais pronunciados no verão e na primavera, por serem as estações mais quentes em ambientes subtropicais úmidos. Os resultados enfatizam que o manejo organizado da produção de leite reduz a variação na composição do leite, facilitando a manutenção de uma alta qualidade consistente do leite e também gerando receita extra.(AU)

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