VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 1605-1616

Comportamento e desempenho de vacas leiteiras no período de transição de sete dias antes e após o parto

Scala, Mário José GiannasiFregonesi, José AntonioMizubuti, Ivone YurikaWeary, Daniel MartinVon Keyserlingk, Marina Andrea GräfinVeira, DouglasCestari, Andressa AmorimSteunenberg, Lizanne

Durante o período de transição as vacas leiteiras passam por vários desafios internos e externos, que podem deixá-las sujeitas a problemas de saúde como acidose do rúmen e pododermatite. O manejo tradicional durante o período de transição recomenda o fornecimento de uma ração com teores médios de concentrado no pré-parto, e outra com teores mais altos de concentrado no pós-parto. Entretanto, existem evidências de que o consumo de rações com alto teor de concentrado após o parto pode levar a irregularidades no consumo destas dietas. Objetivou-se estudar o efeito de manter constante a composição da dieta sobre o comportamento, consumo de alimentos e produção de vacas leiteiras durante o período de transição. Trinta vacas primíparas e multíparas da raça Holandesa foram divididas e alocadas em dois grupos, sendo um deles tratado com ração constante pré-parto (30:70 relação concentrado:volumoso) com maior teor de fibras por sete dias após o parto, seguindo a troca de ração para a dieta tradicional (50:50 relação volumoso:concentrado); e outro grupo, recebendo ração com maior teor de concentrados no pós-parto. O comportamento e o consumo de alimentos foram monitorados com sistema eletrônico de alimentação e data loggers, e a produção de leite através de extração de dados direto do computador da ordenhadeira mecânica. Vacas leiteiras alimentadas com dieta constante durante o período de transição despenderam mais tempo comendo ração no segundo dia pós-parto, 142 minutos/dia, e vacas no tratamento com dieta tradicional 105 minutos/dia. Aquelas manejadas com troca de dieta no pós-parto apresentaram maior consumo no primeiro dia, IMS de 2,2 kg/dia/100 kg PV, mas não nos seguintes, já para as vacas que receberam a dieta constante a IMS foi de 1,7 kg/dia/100 kg PV. Não foram observadas diferenças significativas na produção de leite em relação às duas dietas oferecidas aos animais (P>0,05). As vacas que receberam ração constante durante todo período de transição produziram em média de 29,0 ± 8,2 litros de leite/dia, enquanto as que receberam tratamento tradicional, ração com maior teor de concentrado após o parto, produziram em média 29,1 ± 7,5 litros de leite/dia. Os resultados obtidos não permitiram obter resultados conclusivos sobre uma recomendação da estratégia em atrasar o fornecimento de dietas ricas em concentrados para vacas leiteiras logo após o parto com objetivo de evitar possíveis oscilações na ingestão de matéria seca (IMS) no início da lactação.

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