VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 112-127

O alcalóide monocrotalina, extraído de Crotalaria retusa, altera a expressão de GFAP, a morfologia e o crescimento de culturas primárias de astrócitos

Barreto, Rafael AraújoHughes, Juliana BentesSouza, Cleide SantosSilva, Victor Diógenes AmaralVelozo, Eudes SilvaBatatinha, Maria José MoreiraCosta, Maria de Fátima DiasSilva, Ana RitaEl-Bachá, Ramon SantosCosta, Silvia Lima

Casos de intoxicações com plantas do gênero Crotalaria(Leguminosae), em humanos, e principalmente em animais, têm sido amplamente descritos, com o comprometimento do SNC em animais mais sensíveis, como equídeos. Este estudo objetivou investigar os efeitos diretos do alcalóide pirrolizidínico Monocrotalina (MCT), principal toxina da C. retusa, em culturas primárias de astrócitos corticais de ratos. Foram testadas concentrações entre 0,1-500µM da MCT, no período de 24 e 72h. O teste do MTT revelou que a MCT não mostrou toxicidade em astrócitos. A coloração de Rosenfeld permitiu evidenciar que os astrócitos tratados com 10-500µM MCT por 72h, apresentaram o corpo celular contraído e desenvolveram finos prolongamentos de tamanho variável, esse efeito foi dose-dependente, e verificado em até cerca de 80% das células tratadas com 500µM MCT. Modificações na expressão da GFAP foram verificadas por marcação imunocitoquímica e western blot, especialmente após 72h de tratamento: a MCT induziu, de forma dose-dependente; modificação na distribuição da GFAP, que ficou mais localiza na região peri-nuclear; e redução de cerca de 40% nos níveis de expressão dessa proteína foi verificada em todas as concentrações testadas. A coloração da cromatina nuclear com Hoechst-33258 revelou que a presença de astrócitos com núcleos picnóticos ou múltiplos nas culturas tratadas com 1-500µM MCT. Estes resultados indicam uma ação direta da MCT em astrócitos corticais de ratos, alterando a morfologia e o crescimento celular, e sugerem que a resposta astrocitária a este alcalóide pode estar relacionada aos danos no SNC observados em animais intoxicados.

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