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Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

Distúrbios do trato reprodutivo masculino em equídeos: 87 casos (2014-2022)

Ramos, Gabriel MVeado, Henrique CaetanoRibeiro, ElissaCastro, Márcio BSousa, Davi Emanuel RXimenes, Fábio H. BTeixeira-Neto, Antonio RaphaelCampebell, Rita de CássiaCâmara, Antônio Carlos L

Distúrbios do trato reprodutivo masculino (DTRMs) são comuns em equídeos e podem representar uma proporção significativa da casuística de hipiatras. Determinamos a frequência, os achados clínico-patológicos e a terapêutica de DTRMs em equídeos a partir de um levantamento de nove anos dos registros clínicos em um Hospital Veterinário no Centro-Oeste do Brasil. Nesse período, 87 equinos afetados apresentaram 100 DTRMs distribuídos em 17 diagnósticos diferentes. Quarenta e três (49,4%) equídeos apresentaram DTRM afetando a glande peniana ou pregas de pele prepucial. Distúrbios dos testículos, escroto e cordão espermático foram diagnosticados em 32 (36,8%) equinos. Dos 12 (13,8%) equinos restantes, seis apresentaram dois DTRMs diferentes em duas áreas anatômicas distintas, e cinco animais exibiram a mesma doença em duas localizações anatômicas diferentes. Apenas um cavalo apresentou três DTRMs distintas em duas regiões anatômicas. A habronemíase foi a DTRM mais frequente detectada em 26% dos diagnósticos, seguida por feridas diversas (14%), criptorquidismo (13%), hérnia inguinal (13%), funiculite (9%), parafimose (6%), carcinoma de células escamosas (5%), uretrolitíase (3%), abscessos prepuciais e orquite (2% cada). Fimose, postite ulcerativa, epididimite, hidrocele, papilomatose, teratoma e torção testicular representaram 1% cada. Sessenta e três (72,5%) equídeos receberam alta hospitalar, 18 (20,6%) foram sacrificados humanitariamente e seis (6,9%) morreram. Este estudo detectou as DTRMs mais relevantes que afetaram 7,5% dos pacientes em um levantamento de 1.154 equídeos encaminhados para atendimento hospitalar. Este achado destaca que as DTRMs podem ser condições debilitantes e com risco de morte, e podem impactar potencialmente a reprodução de equídeos na região. Este conhecimento pode ajudar os hipiatras a elaborar protocolos sanitários e de manejo adequados para prevenir e reduzir a incidência da maioria das DTRMs registradas, melhorando a produção e o bem-estar dos equídeos.

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