Acidente ofídico em equinos no Bioma Amazônico, Pará, Brasil
Serruya, AnalielLopes, Cinthia T. ASilveira, Natália S. SBarbosa, Camila CCosta, Paulo S. CDuarte, Marcos DCampos, Karinny FBarbosa, José D
Bothrops atrox é a serpente mais comum na Amazônia, e seu veneno provoca alterações locais e sistêmicas. Este relato descreve os achados clínico-patológicos e laboratoriais de ofidismo por Bothrops em seis equídeos no Pará, Brasil. Os animais, que pertenciam a cinco propriedades rurais diferentes, apresentaram sinais clínicos de apatia, anorexia e aumento da sensibilidade ao toque em áreas de aumento de volume. Três animais foram picados na parte distal dos membros pélvicos e três na região da cabeça. Os animais afetados na área dos membros pélvicos apresentaram edema acentuado que se estendia do boleto até a coxa e exibiam dificuldade de locomoção. Aqueles afetados na região da cabeça exibiam aumento de volume que conferia a aparência de uma "cabeça de rinoceronte", bem como escurecimento da mucosa dos lábios e gengivas. Todos os animais apresentaram taquicardia e taquipneia, e os achados laboratoriais de dois animais evidenciaram anemia, leucocitose, aumento do tempo de coagulação e aumento das enzimas hepáticas (AST e GGT) e renais (ureia e creatinina). O tratamento foi ineficaz, e três dos quatro animais tratados faleceram. A necropsia foi realizada em três animais e foi observada hemorragia extensa no tecido dos locais da picada da serpente e líquido sanguinolento incoagulável nas cavidades. Observou-se congestão no diafragma, na serosa do intestino delgado e áreas mais claras na superfície renal. A histopatologia mostrou degeneração muscular, necrose, necrose tubular aguda, hemorragia e cilindros hialinos nos rins. Este relato destaca os achados clínico-patológicos de picada de serpente em equídeos. Além disso, parece ser o primeiro relato de envenenamento por Bothrops em uma mula no Brasil.
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