VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 116-122

Intoxicaçäo experimental por Phalaris angusta (Gramineae) em bovinos

Sousa, Renato Silva deIrigoyen, Luiz Francisco

Para investigar os efeitos da ingestäo de diferentes quantidades da planta Phalaris angusta em bovinos, oito bezerros, com idade variando entre 6-8 meses, foram divididos em 4 grupos com 2 animais cada. Os animais do grupo I receberam somente P. angusta na alimentaçäo, enquanto que os animais do grupo II receberam P. angusta (75 por cento), aveia (Avena sativa) e azevém (Lolium multiflorum) (25 por cento). Os animais do grupo III receberam P. angusta (50 por cento), aveia e azevém (50 por cento) e os animais do grupo IV receberam somente aveia e azevém e serviram como controles. Todos os animais que ingeriram P. angusta adoeceram. Um animal do grupo I morreu 34 dias após o início da ingestäo da planta e os outros animais foram sacrificados, in extremis, em um período que variou de 18 a 32 dias após o início do experimento. Os principais sinais clínicos observados foram alterações de locomoçäo, tremores generalizados, quedas e crises convulsivas. Alterações macroscópicas foram observadas apenas no encéfalo e eram caracterizadas por focos de coloraçäo verde-azulada no tálamo, mesencéfalo e medula oblonga. Microscopicamente observou-se pigmento granular marrom-amarelado no citoplasma de neurônios das regiões macroscopicamente afetadas. Alterações ultra-estruturais consistiram de lisossomos contendo material com densidade e orientaçäo variáveis. A quantidade de P. angusta ingerida näo foi um fator determinante na gravidade do quadro clínico, nem na intensidade das lesões observadas. A intensidade dos sinais clínicos também näo teve uma relaçäo direta com a severidade das lesões macro e microscópicas. Phalaris angusta demonstrou ter açäo exclusivamente neurotóxica e deve ser considerada no diagnóstico diferencial em casos de animais com sinais clínicos de origem nervosa, consistentes com síndrome tremorgênica

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