Investigação do vírus da diarréia viral bovina associado a características do rebanho em rebanhos leiteiros brasileiros
Ferreira, Janaína SantosPacito, Sara AltíssimoBaccili, Camila CostaVieira, Fabiano KoerichSviercoski, Leonardo MoreiraIenk, TanaanePagno, Jefferson TramontiniGomes, Viviani
O vírus da diarreia viral bovina (BVDV) é um vírus que afeta a produção e reprodução com alto impacto econômico global nos sistemas de produção de leite. Nosso objetivo foi investigar a prevalência do BVDV em rebanhos e indivíduos na região de maior produção de leite do Brasil. A frequência do BVDV nos rebanhos foi investigada usando reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa quantitativa (RT-qPCR) em tanques de leite em 289 fazendas leiteiras, monitoradas entre agosto de 2020 e janeiro de 2022. Dentre esses rebanhos, 68 sistemas de produção foram selecionados para investigar a prevalência de animais persistentemente infectados (PI) usando dois testes imunoenzimáticos para a detecção do antígeno (Ag-ELISAs), em intervalos de 21 dias, a partir de amostras de tecido auricular. No total, foram realizados 2.902 RT-qPCR e 23.466 Ag-ELISAs. Na investigação dos rebanhos, 23,9% (69/289) das propriedades leiteiras foram consideradas infectadas, apresentando pelo menos um teste qPCR positivo. Na pesquisa de animais Pis, 41,2% (28/68) das fazendas selecionadas tiveram pelo menos um animal positivo no teste Ag-ELISA. A associação entre os testes permitiu classificar as propriedades em quatro categorias: nível 0, negativo para ambos os testes (41,2%, 28/68); nível 1, RT-qPCR positivo e Ag-ELISA negativo (17,6%, 12/68); nível 2, RT-qPCR negativo e Ag-ELISA positivo (13,23%, 9/68); e nível 3, positivo para ambos os testes (27,9%, 19/68). A análise de correspondência múltipla (MCA) sugeriu associação entre positividade para BVDV e grandes propriedades, produção média diária de leite do rebanho, raça e contagem de células somáticas. O confinamento e a intensificação de animais de diferentes categorias e o uso de camas artificiais estão associados à infecção pelo BVDV. O uso de leite residual ou a granel também foi um fator de risco para positividade para BVDV em RT-qPCR e Ag-ELISA. Apesar da utilização de vacinas reprodutivas pela maioria dos produtores, a sua utilização parece estar associada a explorações positivas para BVDV. Este estudo apresenta as frequências epidemiológicas do BVDV nos rebanhos e indivíduos de rebanhos da região dos Campos Gerais Paranaense. A região está entre as principais áreas produtoras de leite do Brasil. Além disso, a associação entre os testes de BVDV e as características da fazenda indica o risco da fazenda para o BVDV e orienta programas de controle específicos.
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