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Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

Aborto bovino por uma cepa vacinal de Bacillus anthracis

Setor de Patologia VeterináriaBassuino, Daniele MariathSiqueira, Franciele MaboniSetor de Patologia VeterináriaKonradt, GuilhermeSetor de Patologia VeterináriaVielmo, AndréiaSetor de Patologia VeterináriaRolim, Verônica MachadoSetor de Patologia VeterináriaGonçalves, Maiara AlineCibulski, Samuel PauloSnel, GustavoInstituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF)Mayer, Fabiana QuoosDepartamento de Medicina Veterinária PreventivaVargas, Agueda Castagna deSetor de Patologia VeterináriaDriemeier, DavidSetor de Patologia VeterináriaPavarini, Saulo Petinatti

RESUMO: Este trabalho relata um aborto de um bovino, macho, Aberdeen Angus, por uma cepa vacinal de Bacillus anthracis, descreve os achados patológicos, microbiológicos e o sequenciamento do genoma. Os achados de necropsia incluíram áreas multifocais de hemorragias em diferentes órgãos. Histologicamente, órgãos afetados apresentaram hemorragia, exsudação de fibrina, necrose associada a miríades bacterianas bacilares e intenso infiltrado inflamatório neutrofílico. No exame microbiológico, foram isoladas numerosas colônias rugosas, não hemolíticas, cinzas e secas, com bordas irregulares a partir de amostras de fígado, pulmão e conteúdo do abomaso. A coloração de Gram revelou bastonetes Gram-positivos dispostos em cadeias. A identificação do B. anthracis foi confirmada pela detecção do marcador cromossômico molecular Ba813. Os genomas do isolado B. anthracis (SPV842_15) e do isolado vacinal (cepa vacinal brasileira), recuperado de uma vacina comercial utilizada na vaca prenhe, foram sequenciados. Comparações genômicas mostraram um elevado nível de identidade de nucleotídeos entre B. anthracis SPV842_15 e cepa vacinal brasileira (98,2%). Além disso, em ambas as estirpes foi detectada apenas a sequência do plasmídeo pX01. Embora a vacinação contra o antraz seja caracterizada por um perfil protetor elevado e uma virulência residual muito baixa, a imunização com estirpes de Sterne pode causar aborto em bovinos, presumivelmente pelas toxinas do plasmídeo pX01 em situações raras ou específicas.

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