A sustentabilidade na adoção da consorciação de pastagens e sua influência nas propriedades do leite
Barreta, Daniel AugustoDanieli, BeatrizSchogor, Ana Luiza
O uso de pastagens consorciadas de gramíneas e leguminosas promove uma série de benefícios a todo o sistema de produção. Contudo, seu emprego ainda é modesto e seus benefícios são postos a prova constantemente. Diante disto, o objetivo desta revisão é fomentar a discussão sobre o uso de pastagens consorciadas e sua relação com a produção, composição e características nutricionais do leite, além da sua relação com a sustentabilidade do sistema. De maneira geral, participações entre 20 e 30% de leguminosas no dossel forrageiro são suficientes para promover incrementos de produção de leite em comparação a sistemas exclusivamente de gramíneas. Este aumento está relacionado ao menor percentual de fibras da pastagem, o que permite maior ingestão e digestibilidade da matéria seca. Salienta-se ainda que estes efeitos não sejam lineares e que os percentuais citados devem nortear a condução dos sistemas. Quanto ao perfil nutricional do leite, os níveis de ácidos graxos insaturados (AGI) são maiores nos animais à pasto em relação aos confinados. No entanto, são menos comuns pesquisas que comparem o perfil de ácidos graxos do leite em função de pastagens mistas ou estremes, de maneira geral, leguminosas como os trevos possuem compostos secundários que podem facilitar a passagem de AGI pelo rúmen sem sofrerem ação da biohidrogenação. Além destes efeitos, o uso de pastagens consorciadas permite a redução do uso de fertilizantes nitrogenados, aspecto importante do ponto de vista ambiental. O uso de sistemas alimentares a base de pastagem consorciada de gramíneas e leguminosas pode significar melhorias na qualidade nutricional do leite, como o aumento do percentual de AGI, que são veementemente associados a uma alimentação mais saudável.
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