VETINDEX

Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

p. 34-64

Alterações post mortem ou pós-morte

Serakides, RogériaOcarino, Natália de Melo

As alterações post mortem ou pós- -morte também são conhecidas como alterações cadavéricas porque surgem imediatamente e progressivamente após o óbito. Segundo a classificação de Borri, elas podem ser classificadas em alterações não transformativas ou abióticas, que não modificam o aspecto geral do cadáver, e transformativas ou bióticas, que modificam o aspecto geral do cadáver, podendo dificultar a interpretação dos achados ante mortem. As alterações não transformativas ou abióticas imediatas são consequência da cessação das funções vitais, representadas pela perda da sensibilidade, da mobilidade, da consciência e dos reflexos, entre outras. Já as alterações não transformativas mediatas ou consecutivas são representadas por algor mortis, livor mortis, rigor mortis, coagulação sanguínea e embebição pela hemoglobina e pela bile, por exemplo. As alterações transformativas ou bióticas são caracterizadas por pseudo-melanose, enfisema cadavérico, maceração, coliquação, ruptura de vísceras e redução esquelética. Todas essas alterações serão detalhadamente descritas à frente. As alterações post mortem, em sua maioria, são causadas por enzimas tissulares do cadáver (autólise) ou de bactérias (heterólise). A autólise caracteriza-se pela autodigestão ou destruição do tecido pela ação de enzimas presentes nos tecidos que são ativadas pela falta de oxigênio. Com a interrupção das funções vitais, os lisossomas perdem sua capacidade de conter as hidrolases (proteases, lipases, glicosidases, entre outras). As enzimas lisossomais são, então, liberadas no citoplasma das células, onde são ativadas pelas elevadas concentrações de cálcio, dando início ao processo autolítico. Geralmente, quanto mais diferenciado e especializado for um tecido, mais rapidamente se instalará o processo de autólise, em razão da alta taxa metabólica e, consequentemente, da maior necessidade de nutrientes e de oxigênio. A autólise inicia-se poucas horas após a morte, na fase abiótica dos fenômenos cadavéricos, e prossegue até a ocorrência das alterações transformativas.(AU)

Texto completo