Inquérito sorológico para Neospora caninum e Toxoplasma gondii em um abrigo de gatos infectados com o vírus da imunodeficiência felina, Brasil
Reche-Júnior, ArchivaldoDaniel, Alexandre Gonçalves TeixeiraTadini, Bruna StefaniaSantana, EricaFilgueira, Kilder DantasGargano, Ronaldo GomesSellera, Fábio ParraPena, Hilda Fátima de JesusGennari, Solange Maria
Os felinos têm um papel importante na epidemiologia da infecção por Toxoplasma gondii, mas pouco se sabe sobre a epidemiologia da infecção por Neospora caninum em gatos, particularmente em gatos infectados com o vírus da imunodeficiência felina (FIV). Gatos soropositivos para Toxoplasma gondii geralmente não apresentam sintomas a não ser que estejam imunossuprimidos, como gatos infectados com FIV. A mesma relação ainda é pouco conhecida para N. caninum, embora tenha sido associada a distúrbios neurológicos em pessoas infectadas pelo HIV. Considerando que gatos infectados com FIV são propensos a desenvolver encefalite de etiologia desconhecida, o presente estudo teve como objetivo avaliar a presença de anticorpos específicos para T. gondii e N. caninum em gatos infectados com FIV. Um total de 104 amostras de soro de gatos residentes em um abrigo na cidade de São Paulo, Brasil, foram avaliadas para a presença de anticorpos contra T. gondii e N. caninum pelo teste de imunofluorescência indireta (RIFI). Dos 104 gatos, 25 (24%) estavam infectados com FIV e destes 8, (32%) tinham anticorpos contra T. gondii (titulação entre 16 e 128). Apenas 1 (4%) dos gatos infectados com FIV apresentava anticorpos contra N. caninum, sendo este o primeiro registro dessa coinfecção. Entre os gatos não infectados com FIV, 11 (14%) foram positivos para T. gondii (titulação entre 16 e 256) e apenas 1 (1,2%) tinha anticorpos contra N. caninum. A reação sorologicamente positiva para T. gondii e N. caninum não foi correlacionada com a idade ou sexo (p> 0,05), nem houve correlação entre FIV e ocorrência de anticorpos para T. gondii ou N. caninum(p> 0,05). Estudos subsequentes abrangendo populações maiores de gatos de diferentes origens e locais são essenciais para esclarecer a prevalência de anticorpos contra T. gondii e N. caninum em animais acometidos por FIV.(AU)
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