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Periódicos Brasileiros em Medicina Veterinária e Zootecnia

Potencial bioativo do óleo essencial e extrato de Eugenia luschnathiana: atividade antifúngica contra espécies de Candida isoladas de pacientes oncológicos

Costa, P. C. Q. G. daNogueira, P. LNascimento, Y. M. doSobral, M. VSilvestre, G. F. GCastro, R. D. de

Indivíduos imunossuprimidos, a exemplo dos que fazem tratamento para o câncer, são mais suscetíveis a infecções fúngicas, como a candidíase oral, que podem afetar diretamente sua qualidade de vida e, consequentemente, seu processo de recuperação. Diante das limitações relacionadas às atuais opções terapêuticas, a descoberta de novos agentes antifúngicos, incluindo os de origem natural, é fundamental para o correto manejo dessas infecções. Este estudo investigou o perfil fitoquímico, a atividade antifúngica do óleo essencial e extrato etanólico bruto (EEB) obtidos de Eugenia luschnathiana sobre cepas referência e isoladas clínicas de Candida de pacientes sob tratamento oncológico e realizou a caracterização toxicológica. Para análise fitoquímica foram usados cromatografia gasosa acoplada ao espectrofotômetro de massas (CG-EM) e Ressonância Magnética Nuclear (RMN) de 1H. A avaliação antifúngica foi conduzida para determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) e da Concentração Fungicida Mínima (CFM); avaliação dos potenciais mecanismos de ação; avaliação da atividade sobre biofilme fúngico; determinação da letalidade para larvas de Artemia salina. A CG-EM identificou predominância de sesquiterpenos no óleo essencial, sendo (E)-Caryophyllene o composto majoritário. O espectro de RMN de 1H identificou compostos alifáticos, osídos e aromáticos no extrato etanólico bruto. O OE não apresentou atividade antifúngica. O EEB mostrou atividade fungicida, com CIM e CFM variando de 1,95 µg/mL a 3,90 µg/mL para cepas testadas, estes valores permaneceram inalterados na presença de ergosterol exógeno, com possível mecanismos de ação sobre estruturas que envolvem parede celular fúngica. Em baixa concentração (19.5 µg/mL), o EEB inibiu 62.78% do biofilme de Candida albicans. A CL50 do EEB para A. salina foi de 142,4 µg/mL. Observa-se, então, que o EEB possui atividade antifúngica muito forte, com ação provável sobre parede celular, efeito sobre biofilme e perfil de toxicidade compatível para realização de outras investigações.

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