Pescando o hormônio liberador de gonadotrofina do genoma de Salminus brasiliensis (Characiformes: Bryconidae)
Graciano, R. C. DOliveira, R. SYazbeck, G. M
O desenvolvimento tecnológico de ferramentas que possibilitem a reprodução de diferentes espécies nativas é fundamental para viabilizar iniciativas de conservação ex situ, bem como fornecer meios para produção comercial de peixes ameaçados que, por sua vez, aliviam a pressão pesqueira sobre os estoques selvagens. Peixes migratórios de água doce Neotropicais dependem de indução hormonal para desova em pisciculturas, com métodos caros e de eficiência limitada. Salminus brasiliensis é um dos maiores peixes de água doce Neotropicais, predador de topo piscívoro, admirado na pesca esportiva, muito valorizado no mercado e apreciado na gastronomia. O hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) é uma molécula-chave na reprodução em todos os vertebrados. Os peixes teleósteos possuem dois ou três genes parálogos de GnRH: GnRH1, GnRH2 e GnRH3. Os produtos de expressão gênica dessas isoformas parálogas consistem em um polipeptídeo maior, pré-pró-GnRH, que sofre processamento proteolítico pós-traducional para produzir o hormônio decapeptídeo ativo. Há um interesse crescente na caracterização e compreensão desses neuropeptídeos, devido à sua aplicação prática na reprodução em pisciculturas. Aqui apresentamos a caracterização da sequência codificadora de GnRH1 para o polipeptídeo pré-pŕo-GnRH1 de S. brasiliensis. Uma anotação de montagem genômica foi usada para procurar parálogos de GnRH, com base em dados de transcritos anônimos preditos em um arquivo de anotação gênica. A sequência recuperada para GnRH1 foi então usada como argumento de busca para procura de parálogos não caracterizados de GnRH, a partir de genomas completos de Characiformes depositados no NCBI. A sequência recuperada de S. brasiliensis do gene GnRH1 foi alvo de PCR e submetida ao sequenciamento Sanger, permitindo a sua confirmação. Esta abrange 423 pb (éxon 1: 128 pb; íntron: 161 pb; éxon 2: 134 pb), com janelas abertas de leitura que codificam para 264 e 88 aminoácidos, respectivamente. As diferentes variantes do pré-pró-GnRH (1, 2 e 3) recuperadas dos genomas completos e sequências depositadas de Characiformes no NCBI agruparam-se em três clados distintos, numa árvore de neighbour joining, cada um formando um ramo monofilético e com as sequências de S. brasiliensis aninhadas dentro dos grupos esperados. Aqui observamos uma variação em um sítio proteolítico (GKR→GRR), até então relatado como altamente conservado em vertebrados, que pode potencialmente alterar o sítio de clivagem e modificar a topologia do peptídeo. Este trabalho caracteriza, pela primeira vez, a sequência do gene GnRH1 que codifica para o peptídeo pré-pró-GnRH1, para um membro da ordem Characiformes. Isto ajudará a promover a pesquisa e o desenvolvimento de ferramentas para a reprodução em piscicultura e a gestão ambiental de S. brasiliensis e outros peixes migratórios relacionados.
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