Comportamentos de abandono e migração de colônias silvestres da abelha melífera africanizada (Apis mellifera L.) - DOI: 10.4025/actascibiolsci.v29i4.882
Magalhães Freitas, BrenoMaciel Souza, RaimundoGabriel Abrahão Bomfim, Isac
Os movimentos de colônias silvestres da abelha melífera africanizada (Apis mellifera L.) no Estado do Ceará, Brasil, foram investigados com o objetivo de compreender variações anuais em sua população. A chegada e a partida de colônias de abelhas africanizadas (AHB), no município semi-árido de Canindé e na úmida cidade litorânea de Fortaleza (separadas por 120 km), foram monitoradas semanalmente, de janeiro de 1999 a dezembro de 2001, e comparados com os dados pluviométricos de chuvas em ambas as áreas. Os resultados demonstraram que as abelhas africanizadas somente nidificaram no semi-árido durante a estação chuvosa e o abandonaram na estação seca, ao contrário do observado em Fortaleza. Apenas 5% das colônias permaneceram na área semi-árida por todo o ano, por causa dos ataques de formigas (Camponotus sp.) e carência de néctar e água na estação seca. A maioria das colônias migrou para as áreas litorâneas onde o clima é mais ameno e muitas espécies vegetais florescem nesta época do ano. O excesso de chuvas provavelmente forçava as colônias africanizadas a migrarem de volta ao semi-árido durante a estação chuvosa. Conclui-se que o abandono e a migração são estratégias que permitem às abelhas africanizadas sobreviverem no semi-árido nordestino, em contraste com as raças européias que nunca conseguiram estabelecer populações silvestres na região.
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