Uma nova espécie de Tubella (Porifera: Spongillidae) para a Amazônia brasileira: como erros de identificação podem mascarar um potencial complexo de espécies
Nunes, GabrielCustódio, Márcio ReisPinheiro, Ulisses
As esponjas estão entre as piores dispersoras do reino animal, no entanto, algumas esponjas de água doce produzem corpos de resistência chamados gêmulas, que têm sido usados como a principal explicação para a ampla distribuição de alguns desses organismos. Esse é o caso de Tubella pennsylvanica Potts 1882, que foi descrita originalmente para Pennsylvania, EUA e foi relatada com uma ampla distribuição, mas com informações escassas e confusas que validem seus registros e seus mecanismos de dispersão. Ela foi registrada para a Amazônia e foi a primeira espécie deTubella reportada fora da Amazônia. No intuito de confirmar o status taxonômico destas ocorrências no Brasil, coletamos espécimes de três locais na bacia amazônica e comparamos suas medidas e características com o material tipo de T. pennsylvanica. Com base na análise dos espécimes, consideramos todos os registros para o Brasil de T. pennsylvanica como sendo uma espécie diferente, a qual descrevemos como Tubella manauara n. sp. Além disso, fornecemos as primeiras imagens das espículas do holótipo de T. pennsylvanica. A nova espécie difere do material tipo de T. pennsylvanica por apresentar espinhos maiores nas megascleras acanthoxeas, e maior tamanho de suas espículas. Os espécimes de Tubella manauara n. sp apresentam variações morfológicas de acordo com o tipo de substrato no qual a esponja se desenvolveu. Este estudo reforça a necessidade de revisão de espécies de esponjas de águas continentais sul-americanas com distribuição em outros continentes.
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