Goupia glabra não recupera seu estoque de madeira após um ciclo de corte de 35 anos na Amazônia brasileira: evidências de monitoramento de longo prazo em múltiplas áreas
Vieira, Sabrina BenmuyalRuschel, Ademir RobertoFerreira, Joice NunesMazzei, Lucas José de FreitasSouza, Cintia Rodrigues deEmmert, FabianoNascimento, Rodrigo Geroni Mendes
Manejo de regra única é frequentemente adotado para várias espécies madeireiras de floresta tropical devido ao conhecimento limitado sobre o crescimento e a relação entre intensidade de exploração e tempo de recuperação de cada espécie. Este estudo fornece informações para subsidiar o manejo sustentável de Goupia glabra por meio da simulação da recuperação do estoque de madeira em um período de 35 anos usando dados de seis áreas na Amazônia brasileira. Períodos de monitoramento após o primeiro ciclo de colheita variaram de 16 a 29 anos e intensidades de exploração de 0.000 a 0.696 m² ha-1. A densidade arbórea de G. glabra variou de 0 a 22 árvores ha-1 e a dominância de 0,00 a 7,39 m² ha-¹. A frequência de diâmetros das árvores se distribuiu homogeneamente entre as classes diamétricas, com maior concentração na primeira classe (20-30 cm). Esses parâmetros geraram estimativas de taxa de recuperação de 12 a 85%, mostrando que 35 anos é insuficiente para árvores com DAP ≥ 20 cm recuperarem o estoque de árvores com DAP ≥ 50 cm colhidas no primeiro ciclo de colheita em todas as áreas. Prazos mínimos de recuperação de 48 a 83 anos foram estimados para garantir a recuperação do estoque de madeira nas áreas de estudo. Os resultados reforçam que as regras de manejo necessitam ser adaptadas à dinâmica populacional de cada espécie madeireira em cada local de exploração e sugerem a necessidade de mudar as exigências legais vigentes que definem o manejo florestal na Amazônia.
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